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| | OLHA LÁ, O MOLEQUE TÁ SENDO ESFOLADO! Por raimundo sereno 11/02/2007 às 07:44 porque a denúncia do menino sendo esfolado vivo veio tade demais? A cena brutal de uma criança de seis anos sendo esfolada viva tomou conta do imaginário brasileiro dos últimos dias. Foi um símbolo. Tanto da violência, problema social que se agrava cada vez mais, mas principalmente da indiferença. Não apenas das pessoas que cometeram o crime, uma indiferença no mínimo doentia, mas da sociedade. Não se pode ignorar que a indiferença é um problema social, que atinge a todos. A exclusão social, a pobreza, os mais de cem anos de fim de escravidão que não foram resolvidos. Uma sociedade injusta, competitiva, individualista e conseqüentemente indiferente. Não só no Brasil mas em outros grandes países capitalistas. Li em uma revista recentemente que um manual ensina as mulheres gritarem ?fogo? caso estejam sendo estupradas, pois se gritarem que estão sendo violentadas a reação das pessoas é fugir. Ora, quem já não foi indiferente com a quem está sendo assaltado? Ou com algum caso de corrupção? Indiferença é algo necessário para sobreviver, pois temos uma justiça feroz para quem rouba um bife para alimentar os filhos, mas a bondosa com quem comete crimes brutais. Por isto me assusta um pouco o fato de a criança ter sido arrastada por quinze quilômetros, os ladrões conseguirem fugir e a denúncia só ter sido feita depois. Eles passaram por ruas movimentadas. Dezenas de pessoas viram. Passaram inclusive perto de postos de policiais, de uma base do exército e de um bar. Tudo a olhos vistos. Alguém denunciou na hora? Alguém se preocupou em chamar a polícia imediatamente? Não. Alguém deve até ter comentado: ?olha lá, o moleque ta sendo esfolado? voltou para casa com medo e não fez nada. Todos nós o esfolamos. A cidade inteira. Claro que a etapa final do processo foi feita por gente sem nenhum sentimento moral, mas a cidade maravilhosa foi cúmplice. A indiferença mata. Mata quando milhões de pessoas são colocadas em guetos sem nenhuma chance de sair de lá. Mata quando muita gente é incapaz de girar a cabeça por quarenta e cinco graus e ver quem está lavando o chão. Quando a exclusão gera um ambiente favorável à violência. Quando uma sociedade corrupta e consumista vende a ilusão de ascenso social rápido e fácil. Quando o valor de uma pessoa é o carro que anda e a roupa que veste. E aí, quando a indiferença se transforma em susto, pois amanhã pode ser meu filho, surgem as soluções. Diminuição da maioridade penal. Leis mais rigorosas. Pena de morte. Por mais que se institua o esfolamento dos que fizeram isto, não adianta leis se elas não funcionam, ou funcionam de modo diferente para cada casta social. A máquina do estado está fisicamente e moralmente sucateada. A lei não pode estar em todos os lugares em todos os momentos. Mas a indiferença pode. Ela ocupa cada rua, casa janela e cada bueiro da cidade.
Email:: raimundosereno@yahoo.com.br URL:: http://raimundosereno.blogspot.com >>Adicione um comentário Nunca foi mais justo (de justeza, não de justiça) o comentário de Stendhal: "Hoje em dia são cometidas as maiores crueldades, mas sem crueldade".  | Este papo-furado é o que eu chamo de argumentação paralisante: ela não se destina a apontar a causa do problema, mas a escondê-la, para que as pessoas continuem paralisadas, sem fazer nada. A culpa de todos os crimes é jogada sobre causas vagas e abstratas, a "ganância", o "consumismo", e o resultado é que o cidadão trabalhador vê o garoto sendo arrastado e pensa: "ah, mas a culpa é minha, pois sou consumista e busco a ascenção social". A moral é dissolvida: se o ladrão rouba, é porque tem necessidade, e a culpa é de quem é roubado. O garoto que foi arrastado certamente também é culpado, por ser filho de uma consumista família classe média (fosse o moleque pobre, o assunto já teria morrido a essas alturas). O caroço que está debaixo deste angu é o recado que os esquerdistas passam ao povão: se vocês não nos colocarem no poder, para que possamos promover a tal repartição de riquezas, a bandidagem vai continuar correndo solta, viram? Então, tratem de nos colocar logo no poder!
O casamento entre esquerda e bandidos, conforme eu já falei, data dos anos setenta. Após o fracasso da luta armada, a esquerda compreendeu que os trabalhadores não estavam nem aí para suas chorumelas, e resolveram apostar suas fichas na marginália, desta forma promovidos ao papel de classe revolucionária que iria alçá-los ao poder, em substituição aos trabalhadores. Se antes a retórica esquerdista idealizava o operário, passou a idealizar os marginais dos morros, que, evidentemente, adoraram. Mas vocês, esquerdistas, se esqueceram de uma coisa: bandido é capitalista, e de trouxa não tem nada. Os trouxas são vocês.  | Independente da posição ideológica, as pessoas deveriam estar mobilizadas para cobrar políticas sociais e de SEGURANÇA PÚBLICA dos governantes.
É o minímo que se pode fazer. Eu não concordo com a redução da maioridade penal, mas tenho bom senso e sei que essa discussão já é alguma coisa.
O que não pode é ficar com medo e trancar o portão da casa esperando não ser a próxima vítima.  | Quem aqui está com papo anestesiante é você, Mundim. E quem aqui está tentando esconder o problema é você. Quer dizer então que o contexto social é um conceito abstrato? As propagandas publicitárias que ensinam em alto e bom tom que "vida" é ter um carro (propaganda de automóvel) e que o caminho para felicidade é ter dinheiro (como a da Mastercard, com o slogan: Existem coisas que o dinheiro não compra", ouseja, tenta incultar na cabeça das pessoas que o bom é comprar, consumir. Ou seja, só o consumo que traz felicidade. Essa é a cultura da sociedade de mercado. O que você acha que iria acontecer com uma cultura imoral como essa? Lembra que você sempre diz que: "no dia em que alguém deixar de consumir o supérfluo faltará o essencial na mesa do trabalhador"? Ou seja, as pessoas consideram o supérfluo, uma necessidade essencial, e isso faz com que muitas pessoas nunca se satisfaçam com o que já possuem, ou seja, tenha aquele desejo de sempre consumir, ter, e isso, fomenta a violência e a criminalidade. E fechar os olhos para essa realidade, é ser conivente com a cultura consumista da nossa sociedade que produz lixos humanos, como esse jovem que assassinou a criança. Então, é um conceito abstrato, Mundim? Acho que já está mais do que explicado.
Nós não somos a favor dos bandidos e não somos contra a punição a estes, apenas argumentamos que o problema é generalizado, e que quando o problema é generalizado, o problema está sim, no sistema. Apenas criticamos a demagogia conservadora de vocês de "pena de morte, "prisão perpétua", "redução da maioridade penal", etc. Tudo demagogia! Isso que é argumentação paralisante, pois esconde dos trabalhadores a raíz do problema. Há um ditado que diz: "não adianta tratar o ferimento, é necessário que a ferida não se manifeste". E porque ela se manifesta? Já foi bem explicado no artigo, e no parágrao acima.  | Em momenteo algum falei que as pessoas que fizeram isto não tem culpa. Até acho que pessoas assim deveriam ser entregues ao linchamento, pois não apenas roubaram como mataram barbaramente,podendo então ser entregues à justiça do povo. Mas e a SOLUÇÃO do problema? É só punir? Claro que punir é parte, pois gente assim merece. Mas não resolve. Apenas quis comentar também a conivencia das pessoas que viram tudo acontecer e não cumprirar "o seu papel de cidadão". Com disse, a cidade encobriu o crime e hoje chora.  | Por que será que coisas pavorosas como essa ocorrem do lado de baixo do Equador? Claro que pobre não é bandido, porém nós NUNCA vemos manchetes assim: "Guerra do tráfico mata 9 no Morro do Sushi em Tóquio", "Bandidos arrastam criança até a morte em carro roubado em Oslo, Noruega", "7 morrem em ônibus queimado por bandidos em Estocolmo, Suécia" ou "5 morrem em chacina em Montreal, Canadá". Será que é porque esses países têm educação pública de qualidade, um Estado que provê as necessidades básicas dos cidadãos e distribuição de renda muito mais igualitária que a nossa? Será por isso que a criminalidade deles é insignificante comparada com a nossa? Claro que uma polícia e um Judiciário que funcionem são importantíssimos, mas só isso não resolve. O que pega é a questão levantada por alguns companheiros: quando há justiça social, ou seja, a socialização (distribuição igual para todos) da educação, conhecimento e oportunidades de desenvolvimento profissional e pessoal, os problemas sociais praticamente deixam de existir. A delinqüência passa a ser exclusividade de indivíduos com patologia mental. Simples assim! O resto é papo anestesiante de direitistas idiotas e ignorantes que têm fobia de distribuição de renda e justiça social por medinho de perder alguns privilégios egoístas "conquistados" às custas da miséria alheia. Saudações.  | Tá bom, Marcelo Socialista! Me responda algumas perguntinhas: porque em países mais pobres do que o Brasil, como a Índia, a criminalidade é inferior? Por que em países ricos como os Estados Unidos e a Itália, a criminalidade é alta? Por que as regiões mais violentas do Brasil são as mais ricas, como São Paulo e Rio de Janeiro, enquanto no interior do nordeste só tem ladrão de galinha? Assim como elaborei estas perguntas, poderia ter elaborado mais. Espero que você ou qualquer outro comunistinha de plantão tenha capacidade para respondê-las.  | Isso explica alguém não conseguir entender o nexo entre justiça social e paz social. Claro que há outros fatores envolvidos na questão da violência urbana (eficiência do aparato policial e jurídico; leis firmes e que são aplicadas com eqüidade; fatores culturais; consumo de álcool e entorpecentes; conflitos políticos, étnicos e religiosos ou ausência deles; índole violenta dos elementos criminosos; e um longo etc), mas o âmago da questão é JUSTIÇA SOCIAL: quanto mais, melhor. Quanto menos, pior. Tenha-se certeza: num país em que a questão da justiça social e da cidadania são levadas a sério, isso não vai acarretar em prejuízo para a sociedade. Só trará benefícios. Saudações.  | O desejo de possuir um carro, boas roupas e dinheiro é perfeitamente natural e saudável. Aliás, a ambição de melhorar de vida mediante o trabalho honesto é a base da prosperidade em qualquer lugar do mundo. A causa do crime não é consumismo, mas a IMPUNIDADE. De resto, há abundantes exemplos de países ricos onde a população consome muito e os índices de crime são baixos. Você vai me dizer: nestes países há justiça social, todos podem consumir e ninguém fica com inveja. Então, se aqui muitos pobres não podem consumir, a solução é que os ricos também se abstenham do consumo? Você se esquece que o consumo é apenas a última engrenagem da cadeia de produção: deprimir o consumo é colocar a economia em recessão, e desta forma agravar a miséria e tirar do pobre qualquer chance de melhorar de vida. É por isto que eu digo, quando os ricos deixam de consumir o supérfluo, o que falta na mesa dos pobres não é o supérfluo, mas o essencial. Aliás, esta é que tem sido a finalidade da política de juros altos do governo: inibir o consumo e manter baixos os índices de crescimento da economia, barrando a ascenção da camada mais pobre.  | "Nada disso devia surpreender-vos. Neste caso a morte é uma pena injusta e inútil; é bastante cruel para punir o roubo, mas bastante fraca para impedi-lo. O simples roubo não merece a forca, e o mais horrível suplício não impedirá de roubar o que não dispõe de outro meio para não morrer de fome. Nisto, a justiça de Inglaterra e de muitos outros países se assemelha aos mestres que espancam os alunos em lugar de instruí-los. Fazeis sofrer aos ladrões pavorosos tormentos; não seria melhor garantir a existência a todos os membros da sociedade, a fim de que ninguém se visse na necessidade de roubar, primeiro, e de morrer, depois?
-A sociedade previu o fenômeno, replicou o meu legista; a indústria, a agricultura oferecem ao povo inúmeros meios de existência; existem, porém, seres que preferem o crime ao trabalho."-Thomas More, Utopia
Se a terra não fosse concentrada, as cidades não teriam tantos desabrigados e desempregados, e não teria, consequentemente, tantos crimes.
"A nobreza e a lacaiada não são as únicas causas dos assaltos e roubos que vos deixam desolado; há uma outra exclusivamente peculiar à vossa ilha.- E qual é ela?, disse o cardeal.
- Os inumeráveis rebanhos de carneiros que cobrem hoje toda a Inglaterra. Estes animais, tão dóceis e tão sóbrios em qualquer outra parte, são entre vós de tal sorte vorazes e ferozes que devoram mesmo os homens e despovoam os campos, as casas e as aldeias.
De fato, a todos os pontos do reino, onde se recolhe a lã mais fina e mais preciosa, acorrem, em disputa do terreno, os nobres, os ricos e até santos abades. Essa pobre gente não se satisfaz com as rendas, benefícios e rendimentos de suas terras; não está satisfeita de viver no meio da ociosidade e dos prazeres, às expensas do público e sem proveito para o Estado. Eles subtraem vastos tratos de terra à agricultura e os convertem em pastagens; abatem as casas, as aldeias, deixando apenas o templo para servir de estábulo para os carneiros. Transformam em desertos os lugares mais povoados e mais cultivados. Temem, sem dúvida, que não haja bastantes parques e bosques e que o solo venha a faltar para os animais selvagens.
Assim um avarento faminto enfeixa, num cercado, milhares de geiras; enquanto que honestos cultivadores são expulsos de suas casas, uns pela fraude, outros pela violência, os mais felizes por uma série de vexações e de questiúnculas que os forçam a vender suas propriedades. E estas famílias mais numerosas do que ricas (porque a agricultura tem necessidade de muitos braços), emigram campos em fora, maridos e mulheres, viúvas e órfãos, pais e mães com seus filhinhos. Os infelizes abandonam, chorando, o teto que os viu nascer, o solo que os alimentou, e não encontram abrigo onde refugiar-se. Então vendem a baixo preço o que puderam carregar de seus trastes, mercadoria cujo valor é já bem insignificante. Esgotados esse fracos recursos, o que lhes resta? O roubo, e, depois, o enforcamento segundo as regras. Preferem arrastar sua miséria mendigando? Não tardam ser atirados na prisão como vagabundos e gente sem eira nem beira. No entanto, qual é o seu crime? É o de não achar ninguém que queira aceitar os seus serviços, ainda que eles os ofereçam com o mais vivo empenho. E aliás, como empregar esses homens? Eles só sabem trabalhar a terra; não há então nada a fazer com eles, onde não há mais nem semeaduras nem colheitas. Um só pastor ou vaqueiro é suficiente, agora, a fazer com que brote, de si mesma, a terra onde, outrora, para seu cultivo, centenas de braços eram necessários.
Outro efeito desse fatal sistema é uma grande carestia de vida em diversos lugares. Mas não é tudo. Após a multiplicação dos pastos, uma horrorosa epizootia veio matar uma imensa quantidade de carneiros. Parece que Deus queria punir a avareza insaciável dos vossos açambarcadores com esta medonha mortandade que talvez fosse mais justo lançar sobre suas próprias cabeças. Então, o preço das lãs subiu tão alto que os operários mais pobres não as podem atualmente comprar. E eis aí de novo uma multidão de gente sem trabalho. É verdade que o número de carneiros cresce rapidamente todos os dias; mas nem por isso o preço baixou; porque se o comércio das lãs não é um monopólio legal, está, na realidade, concentrado nas mãos de alguns ricos açambarcadores que nada pode constrangê-los a vender a não ser com altos lucros."-Thomas More, Utopia
"Arrancai de vossa ilha essas pestes públicas, esses germes do crime e da miséria. Obrigai os vossos nobres demolidores a reconstruir as quintas e burgos que destruíram, ou a ceder os terrenos para os que quiserem reconstruir sobre as ruínas. Colocai um freio ao avarento egoísmo dos ricos; tirai-lhes o direito do açambarcamento e monopólio. Que não haja mais ociosos entre vós. Dai à agricultura um grande desenvolvimento; criai a manufatura da lã e a de outros ramos de indústria, para que venha a ser ocupada utilmente esta massa de homens que a miséria transformou em ladrões, vagabundos ou lacaios, o que é aproximadamente a mesma coisa. Se não remediardes os males que vos assinalo, não vos vanglorieis de vossa justiça; é ela uma mentira feroz e estúpida. Abandonais milhões de crianças aos estragos de uma educação viciosa e imoral. A corrupção emurchece, à vossa vista, essas jovens plantas que poderiam florescer para a virtude, e, vós as matais, quando, tornadas homens, cometem os crimes que germinavam desde o berço em suas almas. E, no entanto, que é que fabricais? Ladrões, para ter o prazer de enforcá-los."-Thomas More, Utopia
Qualquer semelhança da obra de Thomas More com nossos dias é mera coincidência.  | O Salantino pergunta 'por que as regiões mais violentas do Brasil são as mais ricas, como São Paulo e Rio de Janeiro, enquanto no interior do nordeste só tem ladrão de galinha?'
É porque no interior do Nordeste só tem galinhas. Se tivesse carrões com certeza haveria roubo de carrões. Conclui-se, então, que no Rio de Janeiro e em São Paulo as desigualdades sociais são bem maiores do que as desigualdades sociais no interior do Nordeste.
Quantos maiores as desigualdades sociais, mais violenta é uma sociedade.  | Eu sei que há exceções, há várias pessoas que não são degeneradas por essa cultura consumista da sociedade capitalista que DEGRADA o ser humano. Devo lhe dizer que graças a Deus nem todos são degradados, imagine se todos fossem degenerados por essa cultura. Meu caro, essa cultura DEGENERA o ser humano. Você tem razão: o bandido é CAPITALISTA. Você está certo quando diz que o bandido deve ser punido, afinal, eu escreví acima que não somos contra a punição dos bandidos. Apenas combatemos certas demagogias. Mas o problema não é só a impunidade, pois como já escreví acima: "não adianta tratar o ferimento, é necessário que a ferida não se manifeste". É preciso combater as causas, não só os efeitos. Onde já se viu uma propaganda como a da Mastercard, com o slogan: "existem coisas que o dinheiro não compra, para todas as outras existe Mastercard". Isso DEGRADA o ser humano, pois tenta convencer as pessoas de que consumir, comprar conduz à "felicidade", isso é MENTIRA, pois dinheiro, riqueza, luxúria NÃO traz felicidade. Mas a propaganda capitalista tenta convencer o povo de que traz, e isso DEGENERA o ser humano. Por isso que, em algo, eu até concordo com você: bandido é CAPITALISTA. Mas você é muito conivente com essa cultura imoral e degradante.
Você é tão conivente com essa cultura que, para você, o consumismo estimula a economia, ou seja, sua argumentação se resume assim: a produção e consumo de artigos de luxo geram oportunidades de emprego. Mas eu acho que o simples fato do trabalho estar voltado para a produção do supérfluo já é uma grande injustiça. Ao invés do trabalho estar voltado para a produção de BMW, por exemplo, deveria estar voltado para a produção de objetos essenciais, assim, seria mais produtivo. O que eu quero dizer é que o trabalho social que está voltado para a produção desses artigos de luxo, deveria estar voltado para a produção de artigos de primeira necessidade. Se diminuíssemos a produção de artigos de luxo, e priorizássemos a produção de artigos de primeira necessidade, erradicaríamos a fome, o desperdício e a criminalidade, enfim, eradicaríamos, a cultura consumista da nossa sociedade. Mas como você é conivente com o consumismo, você vai me dizer "mas isso aumenta a pobreza e a miséria". Se você me disser isso, então você mostra seu atestado de burrice, pois não aumentaria a pobreza e a miséria, ao contrário, reduziria, pois erradicaríamos a fome.  | O latifúndio é cúmplice do crime cometido contra a criança? Eu diria que a masturbação intelectual é cúmplice da ignorância e do sofisma. É impressionante como pessoas que são até inteligentes, em geral de nível universitário, põem-se a repetir esquematismos politicamente corretos sem o mínimo exame. No fundo desta lenga-lenga está a utopia de um mundo rural pré-capitalista presumivelmente idílico, onde todos viviam com paz e simplicidade. Esta bobagem na verdade não se deve a Marx, mas a Rousseau. Quem afirma isto se esquece que o antigo universo rural brasileiro também tinha muito banditismo: veja, por exemplo, o fenômeno do cangaço no sertão. Os cangaceiros achacavam e oprimiam a população camponesa do mesmo modo que os traficantes achacam e oprimem a população trabalhadora das favelas nos dias de hoje. Tal como ocorre atualmente, a polícia da época era violenta, corrupta e ineficiente para reprimir o cangaço, que se extinguiu com a urbanização e a migração para o sul, que fez secar a base social onde vicejavam os bandos de cangaceiros. A urbanização é um fenômeno natural e desejável, produto da modernização e do progresso: todos os países que hoje são ricos tem menos de 5% de sua população no campo. O que não é natural nem desejável é a estagnação da economia que mantém na marginalidade grandes massas de ex-camponeses. Ao contrário do que vocês sonham, este pessoal não vai voltar ao campo coisa nenhuma, mesmo porque eles já perderam toda a cultura rural de seus pais e avós. Eles têm que ser incluídos em um modo de produção URBANO.
 | Esse delirante sofisma esquerdista segundo o qual a criminalidade e a violência são fruto da pobreza e das desigualdades sociais pretende atingir dois propósitos básicos: primeiro, servir de desculpa a incompetência do Estado e, principalmente, à disseminação, ainda que subliminar, da idéia obtusa de que somente o socialismo é capaz de deter a violência.
A asserção de que a desigualdade social gera violência é mais uma mentira deslavada que de tantas vezes repetida acabou tornando-se verdade inconteste na cabecinha do homem massa brasileiro. É óbvio que tal balela não resiste à mais elementar objeção, caindo por terra sempre que se analisam, racionalmente, tanto as relações de causa e efeito quanto as abundantes estatísticas sobre criminalidade e níveis de renda (ou educação ? como quer o presidente) disponíveis mundo afora. No entanto, uma das características marcantes do esquerdismo é a sua persistência. São realmente tinhosos esses caras. Para eles, a convicção supera a razão, e, portanto, se a teoria não se ajusta aos fatos, a solução é fácil: mude-se os fatos! É inegável a sua disposição para a luta. São capazes de negar o óbvio, de dizer as mais formidáveis asneiras e esquecer as regras mais elementares da lógica em prol da sustentação de uma tese equivocada. Tudo, evidentemente, em nome da causa. E é por isso que não conseguem responder às minhas perguntas.  | Como pode existir alguém tão energúmeno como este tal de pedro mundim q pra tudo vê "esquerda" no q acontece de ruim neste país? Leva tudo pra questão teórica, é um autista q deve ver fantasma de comunista todo instante. Só porque foi um menino q foi morto, vai ver ele imagina q por se tratar de uma criança os bandidos devem ser comunistas, pois só faltou a eles comerem a criança... Um sujeito desses não pode ser levado em consideração, não se sensibiliza com essa tragédia social de todo dia e só está aí pra defender este estado de coisas! É um verdadeiro analfabeto funcional! Todos os países que hoje são ricos, são ricos porque tem menos de 5% de sua população no campo ou tem menos de 5% de sua população no campo porque são ricos?
Mundim, você quer incluir os desempregados urbanos na produção? Então voce tinha que ter começado instalar indústrias há 200 anos atrás. Mas nunca é tarde para começar. Concordo, nunca é tarde para começar. A Coréia do Sul começou nos anos sessenta, e já nos deixou bem para trás...
O nexo causal que você apresentou não faz sentido: o fenômeno da migração do campo para a cidade tem acontecido tanto nos países ricos quanto nos países pobres, assim como o fenômeno da transição demográfica, da diminuição da taxa de natalidade e da entrada das mulheres no mercado de trabalho. Pretender que estas tendências possam ser revertidoas é tão fútil quanto achar que a TV em preto e branco vai voltar. Para cada Coréia do Sul do mundo capitalista existem muitos Haitis.
E mesmo no caso exemplar, que é o caso da Coréia do Sul, não existe o pleno emprego. Existem muitos desempregados na Coréia do Sul.
O pedro "pinóquio" mundim não se emenda mesmo...fica repetindo esse mantra do essencial e do supérfluo, q só serve pra conservar o status quo capitalista; provavelmente mundim é da turma do "supérfluo". Só q tem uma coisa: A realidade mostra q o essencial está cada vez menos na mesa do trabalhador(o essencial pra mundim deve ser apenas um prato de comida e não educação, saúde, transporte, emprego, vestuário,etc...)em contrapartida ao supérfluo cada vez mais presente na vida dos burguesinhos consumistas como pinóquio mundim... Pois é, né Adéverson! O essencial está cada vez menos na mesa dos trabalhadores, mas andam de Corcel 73. É lamentável isso!  | Ouro de Tolo
Eu devia estar contente Porque eu tenho um emprego Sou um dito cidadão respeitável E ganho quatro mil cruzeiros por mês
Eu devia agradecer ao Senhor Por ter tido sucesso na vida como artista Eu devia estar feliz Porque consegui comprar um Corcel 73
Eu devia estar alegre e satisfeito Por morar em Ipanema Depois de ter passado fome por dois anos Aqui na Cidade Maravilhosa
Ah! Eu devia estar sorrindo e orgulhoso Por ter finalmente vencido na vida Mas eu acho isso uma grande piada E um tanto quanto perigosa
Eu devia estar contente Por ter conseguido tudo o que eu quis Mas confesso abestalhado Que eu estou decepcionado
Porque foi tão fácil conseguir E agora eu me pergunto: e daí? Eu tenho uma porção de coisas grandes Pra conquistar, e eu não posso ficar aí parado
Eu devia estar feliz pelo Senhor Ter me concedido o domingo Pra ir com a família ao Jardim Zoológico Dar pipoca aos macacos
Ah! Mas que sujeito chato sou eu Que não acha nada engraçado Macaco, praia, carro, jornal, tobogã Eu acho tudo isso um saco
É você olhar no espelho Se sentir um grandessíssimo idiota Saber que é humano, ridículo, limitado Que só usa dez por cento de sua cabeça animal
E você ainda acredita que é um doutor, padre ou policial Que está contribuindo com sua parte Para o nosso belo quadro social
Eu que não me sento No trono de um apartamento Com a boca escancarada cheia de dentes Esperando a morte chegar
Porque longe das cercas embandeiradas que separam quintais No cume calmo do meu olho que vê Assenta a sombra sonora de um disco voador
Eu que não me sento No trono de um apartamento Com a boca escancarada cheia de dentes Esperando a morte chegar
Porque longe das cercas embandeiradas que separam quintais No cume calmo do meu olho que vê Assenta a sombra sonora de um disco voador
Raul Seixas
Sr. Salantino, nem todo mundo está feliz como o Raul Seixas. Nada do que fazemos nos dá o direito de comer se a comida que eu comemos, nós tiramos de quem tem fome.
"Aos que virão depois de nós
Eu vivo em tempos sombrios. Uma linguagem sem malícia é sinal de estupidez, uma testa sem rugas é sinal de indiferença. Aquele que ainda ri é porque ainda não recebeu a terrível notícia.
Que tempos são esses, quando falar sobre flores é quase um crime. Pois significa silenciar sobre tanta injustiça? Aquele que cruza tranqüilamente a rua já está então inacessível aos amigos que se encontram necessitados?
É verdade: eu ainda ganho o bastante para viver. Mas acreditem: é por acaso. Nado do que eu faço Dá-me o direito de comer quando eu tenho fome. Por acaso estou sendo poupado. (Se a minha sorte me deixa estou perdido!)
Dizem-me: come e bebe! Fica feliz por teres o que tens! Mas como é que posso comer e beber, se a comida que eu como, eu tiro de quem tem fome? se o copo de água que eu bebo, faz falta a quem tem sede? Mas apesar disso, eu continuo comendo e bebendo.
Eu queria ser um sábio.
Nos livros antigos está escrito o que é a sabedoria: Manter-se afastado dos problemas do mundo e sem medo passar o tempo que se tem para viver na terra; Seguir seu caminho sem violência, pagar o mal com o bem, não satisfazer os desejos, mas esquecê-los. Sabedoria é isso! Mas eu não consigo agir assim. É verdade, eu vivo em tempos sombrios!"
Bertolt Brecht  | Sr. Pedro Mundim, eu fiz uma pergunta a você. Eu não afirmei que desejo o exodo urbano para reverter a tendencia de urbanização da sociedade. Afinal, quem sou eu para querer ou deixar de querer alguma coisa!?!
E você respondeu dizendo que em alguns países a urbanização é a causa e em outra o efeito do progresso. Era só isso que eu queria que voceê res´pondesse. Obrigado por sua resposta.
Eu não sou a favor do exodo urbano nem do latifúndio: não gosto de televisão, seja ela preto e branco ou colorida. O garoto João Hélio não foi arrastado até a morte por apenas cinco covardes,mas por todos os 180 milhões de Brasileiros covardes que assiste este país indo à merda sem nada fazer. A criança está morta. Assassinada covardemente por todos nós. Assim como tantos outros inocentes, o único erro que essa criança cometeu foi ter nascido filho desse país filho da puta!!!
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